terça-feira, 3 de março de 2020

Em iniciativa pioneira, Alagoas forma primeira Rede Editorial Interinstitucional do Brasil

Rede quer movimentar mercado editorial em Alagoas
Rede quer movimentar mercado editorial em Alagoas Ascom Fapeal

 
Texto de Deriky Pereira

Alavancar o mercado editorial em Alagoas e dar mais capilaridade às produções científicas. Essa é uma das missões da Rede Editorial Interinstitucional Alagoana (REIA), primeira do segmento no Brasil, lançada oficialmente no último dia 20 em reunião na sede da Fundação de Amparo à Pesquisa de Alagoas (Fapeal), uma das parceiras do projeto. A iniciativa, liderada pela Editora da Universidade Federal de Alagoas (Edufal) conta também com as editoras do Centro Universitário Cesmac, da Universidade Estadual de Alagoas (Uneal) e da Imprensa Oficial Graciliano Ramos.

Segundo o professor Elder Maia, novo diretor da Edufal que está à frente deste projeto, agora as editoras se unem num projeto comum de distribuição, circulação e publicação para dar mais capilaridade aos produtos editoriais de Alagoas.

“Queremos que essas obras cheguem também ao interior do estado, nos mais diferentes rincons do estado, como no Agreste e no Sertão, para fugir da concentração de bienais, eventos, publicação e divulgação apenas em Maceió. Por isso, a partir de agora, todos os projetos editoriais, ou grande parte deles, vão ser pensados em conjunto por essas quatro editoras universitárias, tais como lançamento de livros, bienais, palestras que tragam autores, além de projetos de comercialização, catálogos de divulgação, site e os futuros e-books que certamente serão lançados futuramente pela Rede”, comentou.
Trabalho conjunto para dar um salto no mercado
A coordenadora editorial da Imprensa Oficial, Patrycia Monteiro, comemorou a criação da Rede e destacou que o grupo vai desenvolver ações em comum e de interesse de todas as editoras para alavancar o mercado editorial no estado.

“Nesta reunião, identificamos as nossas maiores dificuldades e uma delas é a de fazer melhor comercialização da nossa produção. Temos uma produção intensa de livros, com grandes autores e, inclusive, autores premiados nacionalmente, mas a gente precisa dar mais visibilidade à produção que temos, às obras que a gente publica, aos escritores da nossa terra e a gente precisa, principalmente, levar essa produção tão intensa ao leitor alagoano”, explicou.
Patrycia revelou ainda que todos saíram muito otimistas com o projeto. “Vamos desenvolver uma série de estratégias para resolver os gargalos das editoras, porém tem outras coisas que vamos estudar estratégias-ação para desenvolver a área de e-books, por exemplo. Então, a gente uniu forças para superar dificuldades antigas, todo mundo saiu muito otimista e acho que vamos dar um grande salto no mercado”, comemorou.
Já o diretor executivo de ciência e tecnologia da Fapeal, João Vicente Lima, analisou a criação da Rede como um feito inédito no Brasil e ressaltou que ela visa melhorar a divulgação da produção científica dos pesquisadores alagoanos.
“Nós sabemos da qualidade do que esses escritores fazem, mas, hoje, a grande dificuldade tem a ver com a comercialização, em fazer com que esses livros cheguem até o público interessado. Então, essa Rede foi criada sob a liderança da Edufal, acreditamos, está sendo gestada uma ideia, um projeto, que vai melhorar e muito a chegada dessas obras organizadas, publicadas e editadas pelas nossas editoras até o público interessado”, salientou.
João Vicente explicou ainda que o grupo fez um amplo diagnóstico sobre esta situação e convidou a Fapeal a participar do projeto. “Nós já somos financiadores de uma coleção importante junto à Cepal e à Edufal de obras que expressam resultados de pesquisa, principalmente dos grupos vinculados à pós-graduação. A gente, de longe, já apoiou a divulgação de mais de 100 livros de autores, ou conjunto de autores, às vezes são coletâneas, e a gente espera continuar com isso dentro desta Rede que está sendo construída”, disse.
Ele explicou ainda que a Fapeal entende que esta é uma boa discussão e quer participar da solução. Assim, a casa do pesquisador alagoano se une ao grupo e reitera seu compromisso com a divulgação científica e com a popularização da Ciência, Tecnologia e Inovação (CT&I) no estado. “A gente aqui, desde 2016, vem, segundo as nossas possibilidades, tentando apoiar fortemente que o pesquisador não guarde com ele, ou só em artigos científicos, os resultados de suas pesquisas. A gente precisa que essas obras sejam divulgadas e o livro ainda é um veículo muito importante, o mais popular e próximo das pessoas no dia a dia”, comentou.
Primeira ação da Rede
Elder Maia destacou que a Rede terá uma agenda e calendário rotineiro de ações entre os membros envolvidos. No entanto, já adiantou uma novidade: o lançamento de uma coleção chamada Novas Economias, sobre as transformações econômicas do mundo contemporâneo.
“Essa coleção ganhará forma de quatro grandes temas: economia criativa, economia da inovação, economia do conhecimento e economia do turismo. Essa será a primeira ação em conjunto, financiada e coordenada pela REIA. A gente, provavelmente, ainda neste primeiro semestre, deve estar lançando, entre julho e agosto”, concluiu o diretor da Edufal.

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