segunda-feira, 11 de novembro de 2019

Prêmio homenageia sete personalidades que se destacam na luta por igualdade racial

Evento será realizado no próximo dia 14 de novembro como parte do Mês da Consciência Negra


Homenageados da solenidade do Tia Marcelina 2018
Homenageados da solenidade do Tia Marcelina 2018 Letícia Sobreira
Texto de Ana Cristina Sampaio e Joanna de Ângelis

Sete personalidades serão agraciadas este ano com o Prêmio Tia Marcelina, uma homenagem à ex-escrava de origem africana, descendente do Quilombo dos Palmares e matriarca do Candomblé em Alagoas. O evento acontecerá no próximo dia 14, no Jatiúca Hotel & Resort, em Maceió, a partir das 18h30.
O Prêmio Tia Marcelina é uma iniciativa do Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado da Mulher e dos Direitos Humanos (Semudh), em parceria com o Conselho de Promoção da Igualdade Racial de Alagoas (CONEPIR). Foi criado em 2016 pelo governador Renan Filho para reconhecer e agraciar pessoas e entidades que atuam na luta pela igualdade racial e trabalham para a promoção dos direitos dos negros e negras em Alagoas.
A secretária de Estado da Mulher e dos Direitos Humanos, Maria Silva, mulher negra e indígena, ressaltou a importância de reconhecer o trabalho de pessoas que lutam diariamente contra a desigualdade social, racial e cultural. “Precisamos de união. Todos os dias somos desafiados a quebrar estereótipos e preconceitos encarnados em nossa sociedade. A valorização e a promoção das pessoas que escolheram como missão de vida a batalha por justiça e respeito é um passo importante no caminho da igualdade”, afirmou a secretária.
Homenageados 2019
Os escolhidos para receber a honraria do Prêmio Tia Marcelina deste ano são:
Valdice Gomes da Silva, jornalista e editora da Coluna Axé do jornal Tribuna Independente e vice-presidente do Centro de Cultura e Estudos Étnicos Anajô, onde coordena o Projeto Vamos Subir a Serra; Eliane Silva, coordenadora nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST); Mirian Araújo Souza Melo, conhecida como Mãe Mirian, mais antiga matriarca da religião afro-brasileira em Alagoas; Amaro Félix Filho e Alaíde Bezerra dos Santos, quilombolas e lideranças do povoado de Tabacaria, em Palmeira dos Índios, e Ana Paula de Oliveira Santos, pescadora e pesquisadora, bacharel em Ciências Sociais, licencianda em pedagogia e liderança da comunidade de pescadores da Barra de Santo Antônio.
Duas entidades também serão agraciadas com o Prêmio, a primeira é a APOIME - Articulação dos Povos e Organizações Indígenas do Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo. A APOINME luta por políticas públicas de sustentabilidade, reunindo a juventude indígena com a organização de formações, seminários, encontros e marchas de reivindicações por direitos. A segunda entidade é o Centro de Cultura e Estudos Étnicos Anajô, organização não-governamental fundada em 1988 e vinculada aos Agentes de Pastoral Negros do Brasil (APNs), o Anajô reivindica a promoção de políticas públicas para a igualdade racial, além de desenvolver trabalhos pelo empoderamento de negros em Alagoas.
“O Prêmio Tia Marcelina é um importante instrumento no enfrentamento à discriminação das religiões de matrizes africanas e das manifestações da cultura negra tão presentes nas nossas raízes. É um momento de reflexão e de fortalecimento em prol do respeito às tradições e conquistas da comunidade negra”, destacou Mirabel Alves, superintendente de Políticas para os Direitos Humanos e a Igualdade Racial da Semudh.
Histórico
A solenidade de 2018 contou com os seguintes homenageados: Fabíola Silva, mulher negra e travesti, fundadora da ONG Pró-Vida, e conselheira estadual de Combate à Discriminação e Promoção dos Direitos LGBT – CECD/LGBT; Rosa Mossoró, reconhecida ativista cultural em Alagoas, já agraciada em outros momentos pela Fundação Cultural Zumbi dos Palmares e pelo Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas; Ana Cristina Conceição Santos, ativista negra no campo acadêmico, professora do Campus Sertão da Universidade Federal de Alagoas. Maria Joana Barbosa, líder quilombola da Comunidade Carrasco, em Arapiraca; Pai Alex Gomes, como é conhecido, o babalorixá e mestre juremeiro, religião afro ameríndia típica do Nordeste. A diretora do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros (Neab) da Ufal, Lígia dos Santos Ferreira e Arísia Barros, professora, escritora e coordenadora do Instituto Raízes de Áfricas de Alagoas.
Tia Marcelina foi uma ex-escrava africana de Janga, Angola, descendente do Quilombo dos Palmares e de família real africana. Juntamente com Manoel Gelejú, Mestre Roque, Mestre Aurélio e outros, fundou os primeiros Xangôs do Brasil no bairro de Bebedouro, em Maceió. Tia Marcelina morreu durante o “Quebra de Xangô”, episódio que perseguiu e torturou em 1912, representantes das religiões de matrizes africanas.

Agência Alagoas

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