domingo, 12 de abril de 2020

Alagoas permanece com 37 casos confirmados e três mortes por Covid-19

Cievs aponta, ainda, a ocorrência de 280 casos suspeitos e 589 descartados no estado


Alagoas permanece com 37 casos confirmados e três mortes por Covid-19 Agência Alagoas
 
Texto de Ascom Sesau

A Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) informa, nesta quinta-feira (09/04), que Alagoas permanece com 37 casos confirmados e três óbitos por Covid-19. Os dados constam no Boletim Epidemiológico 34, que aponta, ainda, 280 casos em investigação e 589 já descartados.
Quanto aos óbitos, todos ocorreram em Maceió, segundo o Centro de Informações Estratégicas de Vigilância em Saúde (Cievs). O primeiro foi de um aposentado de 64 anos, e foi confirmado no dia 31/03. Já a segunda morte em Alagoas por Covid-19 foi a de um aposentado de 78 anos, com confirmação no dia 03/04. A terceira morte ocorreu na última quarta-feira (08/04), tendo como vítima uma aposentada de 77 anos, que estava internada no Hospital Veredas.
Com relação aos casos confirmados, 31 residem no estado, sendo 27 em Maceió e quatro no interior, uma vez que Porto Real do Colégio tem um caso, Marechal Deodoro aparece com dois e Palmeira dos Índios também tem um caso. As outras seis pessoas que testaram positivo para a Covid-19 residem no Rio de Janeiro (2), em Brasília (2) e em São Paulo (2).
Curados – Ainda de acordo com o Boletim Epidemiológico 34, dos 37 casos confirmados em Alagoas para a Covid-19, onze já finalizaram o isolamento domiciliar, não apresentam mais sintomas da doença e, portanto, estão curados.

sábado, 11 de abril de 2020

Não é correto comparar número de mortos por coronavírus com número de homicídios

Não é correto comparar as duas circunstâncias, por se tratarem de variáveis e situações diferentes, dizem especialistas


Texto de Agência Alagoas

Uma imagem comparando o número de pessoas mortas por homicídios e por Covid-19 em Alagoas circula em grupos de WhatsApp, levando desinformação à população, já que não é correto comparar as duas circunstâncias, por se tratarem de variáveis e situações diferentes, como explicam especialistas.


A mensagem diz que “Em Alagoas morreram 2 pessoas por coronavírus e 98 por assassinato no mês de março” e ainda questiona se deveria usar “máscara ou colete à prova de bala”.
De acordo com o matemático e professor Cássio Micael, os números absolutos podem ser utilizados de várias formas, inclusive para produzir desinformação quando usados fora de contexto. “Utilizar os números puros, absolutos, seria até muito frio, por duas razões. Primeiro, porque o número de casos cresce a cada dia no Brasil e não se sabe ao certo quantos pessoas podem ter a doença neste momento. Segundo, porque a gente tem as pessoas que não morreram, mas estão com a doença e podem contaminar diversas outras”, esclarece.

O matemático explica ainda que, por esta razão, não é possível comparar a quantidade de homicídios aos óbitos por coronavírus em Alagoas. “São variáveis muito distintas e usar o número absoluto é uma mera enganação, porque os casos de Covid-19 tendem a crescer geometricamente. Então, às vezes, com esse tipo de informação a pessoa pode ter a intenção de que todos sejam liberados e vão pras ruas, mas as consequências podem ser graves, já que uma pessoa pode passar para várias [a doença]”, explica.
O professor exemplifica ainda a quantidade de óbitos registrados em alguns países europeus e nos Estados Unidos. “Por exemplo, os Estados Unidos tiveram quase duas mil mortes em 24 horas e pouco provavelmente eles registraram essa quantidade de homicídios neste período de tempo. Usar os números absolutos só vai servir para desinformar”, finaliza.
Alagoas Sem Fake
Com foco no combate à desinformação, a editoria Alagoas Sem Fake verifica, todos os dias, mensagens e conteúdos compartilhados, principalmente em redes sociais, sobre assuntos relacionados ao novo coronavírus em Alagoas. O cidadão poderá enviar mensagens, vídeos ou áudios a serem checados por meio do WhatsApp, no número: (82) 98161-5890.

sexta-feira, 10 de abril de 2020

Educação cede impressoras 3D para confecção de máscaras de proteção em AL

Equipamentos são parte do programa Meninas em STEM e foram cedidos à Ufal


Escolas receberam impressoras no início de março -fotos Thiago Henrique (46)
Escolas receberam impressoras no início de março -fotos Thiago Henrique (46) Thiago Henrique
 
 
 
Texto de Ana Paula Lins e José Arnaldo

A Secretaria de Estado da Educação de Alagoas (Seduc/AL) cedeu cinco impressoras 3D para ajudar a força-tarefa montada na Universidade Federal de Alagoas (Ufal) para produção de máscaras destinadas aos profissionais que atuam no combate a Covid-19 o estado. As máquinas foram entregues no Instituto de Matemática da Ufal e fazem parte da estrutura do Espaço de Formação e Experimentação em Tecnologias para Professores EFEX e do Programa Meninas em STEM.
O Programa Meninas em STEM, ação da pasta que visa incentivar a participação feminina nas ciências exatas e iniciação científica, é consequência de um projeto desenvolvido junto à embaixada americana e USP, que promovem o seminário STEM TechCamp no Brasil. No início deste ano, quatro escolas da rede estadual foram contempladas com impressoras 3D para desenvolver atividades do programa. As mesmas que, agora, ajudarão a produzir material de proteção para os profissionais da saúde.
“Estamos em um momento em que é necessário unir forças e, por isso, a Seduc cedeu estas máquinas à Ufal para que as mesmas sejam utilizadas pela equipe do Instituto de Matemática. Desta forma, ajudamos a aumentar a produção de máscaras e contribuímos com a sociedade para reduzir a propagação do vírus”, avalia o coordenador do Efex, Ednaldo Firmino.

quinta-feira, 9 de abril de 2020

Procon reforça equipes e atuação para conter abusos ao consumidor durante pandemia

Instituição ampliou presença nas ruas da capital e no interior para garantir direitos, intermediar e evitar abusos na relação entre clientes e empresas


Fiscalização em farmácias e locais de venda de álcool gel e máscaras Fiscalização em farmácias e locais de venda de álcool gel e máscaras Ascom Procon
 
 
Texto de Agência Alagoas

Toda vida importa. Todo direito conquistado também. Está na lei. Com a pandemia causada pelo novo coronavírus, os governos foram obrigados a publicar decretos emergenciais e medidas provisórias que tiveram impacto direto nas relações de consumo. Em Alagoas, o Instituto de Defesa e Proteção do Consumidor (Procon-AL) segue atuante na fiscalização de denúncias e na mediação em casos litigiosos entre clientes e empresas.
Para garantir a efetiva aplicação dos novos dispositivos, a entidade exerce papel vigilante e conciliador na patrulha contra possíveis abusos. Desde que o Governo do Estado decretou isolamento social, o Procon-AL deflagrou operações para verificar os preços em supermercados de 63 municípios alagoanos. O giro da fiscalização constatou irregularidades, autuou estabelecimentos e anunciou a proposição de medidas à Associação dos Supermercados de Alagoas. A formalização de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) é uma delas.
Bom senso e razoabilidade são palavras-chave em tempos de crise. Os consumidores devem ficar alerta e os fornecedores devem estar abertos para renegociação. A princípio, cabe ao Procon mitigar os impactos econômicos nas relações de consumo. Porém, não custa lembrar: a instituição pode impor aos infratores quaisquer das sanções previstas no Decreto Federal nº. 2.181, de 1997, como:
- Penalidades administrativas
- Multas
- Apreensão e inutilização de produtos
- Cassação de registro
- Proibição de fabricação
- Suspensão de fornecimento
- Revogação da concessão
- Cassação de licença
- Interdição
Em cumprimento ao decreto governamental, os canais de atendimento presencial do Procon-AL estão suspensos. Para mais informações, reclamações e denúncias, o usuário pode entrar em contato pelo telefone 151, pelas redes sociais, via whatsapp (98876-8297), por meio do autoatendimento no site www.procon.al.gov.br e no e-mail: info@procon.al.gov.br.

A seguir, confira as orientações do Instituto para os casos mais recorrentes e como o consumidor deve proceder para acionar a defesa de seus direitos:
1. FORNECIMENTO DE ENERGIA ELÉTRICA
A medida publicada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) proibiu a suspensão do fornecimento de energia elétrica por falta de pagamento durante o período da pandemia.
Como proceder: em caso de descumprimento, o cidadão pode entrar em contato com o Procon-AL, que irá solicitar a religação imediata.
Atuação do Procon: a empresa fornecedora poderá ser acionada por meio de processo administrativo para aplicação de multa.

Atenção, consumidor: a medida não engloba a suspensão da obrigatoriedade do pagamento. O usuário deve pagar as faturas, sob pena de multa e incidência de juros.
2. PAGAMENTO JUNTO ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS
Clientes adimplentes ganharam a chance de prorrogar em até 60 dias o pagamento das parcelas de crédito contraídas junto aos cinco maiores bancos do País (Banco do Brasil, Caixa Econômica, Itaú, Bradesco e Santander). A renegociação não é automática. O usuário precisa solicitar a prorrogação junto à instituição financeira.
Como proceder: caso a negociação seja negada, o consumidor deve procurar auxílio do Procon-AL. O órgão vai intermediar a relação para que o cliente tenha acesso às condições de prorrogação.

Atuação do Procon: caso a instituição financeira inviabilize ou se negue a oferecer as novas condições, o Procon-AL irá exigir o cumprimento forçado da obrigação sob pena de autuação e multa posterior. O órgão também vai fiscalizar a cobrança de juros abusivos.
Atenção, consumidor: em função da alta demanda por causa da pandemia, poderá haver dificuldades ao tentar entrar em contato com os bancos. Neste caso, a recomendação é que o usuário insista nas tentativas. Se não conseguir, procurar o Procon-AL para relatar o problema.
3. PASSAGENS AÉREAS
A Medida Provisória nº 925/2020 diz que o consumidor que adquirir passagem aérea até o dia 31 de dezembro de 2020 terá direito ao reembolso no prazo de 12 meses (observadas as regras do serviço contratado) ou à utilização de crédito na mesma companhia aérea no mesmo período de tempo (12 meses, contados a partir da data do voo contratado). A mesma MP garante a responsabilidade da companhia aérea em providenciar assistência material (hospedagem, translado e alimentação) para o passageiro em caso de voo cancelado.
Como proceder: entrar em contato com o Procon-AL, que está apto para receber denúncias e reclamações dos consumidores feridos em seus direitos.

Atuação do Procon: além da fiscalização nos aeroportos para garantir a assistência material aos passageiros de voos cancelados, o Instituto pode aplicar multa à empresa caso não haja acordo ou se forem constatada irregularidades.
Atenção, consumidor: duas companhias aéreas já foram autuadas pelo Procon-AL por falta de prestação de assistência material aos passageiros. O Instituto enviou ofício ao Ministério Público do Estado (MPE/AL) para a adoção de medidas cabíveis. O MPE/AL ajuizou Ação Civil Pública e conseguiu, em sede de liminar, decisão judicial favorável.
4. CONTRATOS COM ACADEMIAS E ESTABELECIMENTOS CONGÊNERES
Nestes casos, a recomendação é que o consumidor busque um acordo junto ao estabelecimento. Quanto a isso, orientam-se as seguintes alternativas:
a) Oferta dos serviços contratados em momento posterior para pagamentos já efetuados e suspensão dos pagamentos ainda não efetuados quando não
houver mais interesse na continuidade;
b) Disponibilização de serviços alternativos online - ou por aplicativos – desde que seja de interesse do consumidor;
c) E/ou a negociação de descontos proporcionais à economia de custos (seja derivada de incentivos fiscais, ou outras economias).

Como proceder: caso não haja acordo, o consumidor deve acionar o Procon-AL.
Atuação do Procon: cabe ao órgão intermediar a relação entre consumidor e o fornecedor em busca de conciliação.
Atenção, consumidor: o cliente que não se contentar com as condições oferecidas poderá ingressar com a ação judicial cabível. Contudo, o Procon-AL desaconselha a busca desenfreada pelo Judiciário, tendo em vista a duração elástica dos processos até a devida finalização.
5. REEMBOLSO DE INGRESSOS DE SHOWS, ESPETÁCULOS, TEATROS E EVENTOS CONGÊNERES
Em caso de evento remarcado para data posterior, o consumidor tem o direito de utilizar o ingresso comprado ou adotar outra medida especificada pela empresa responsável. Caso o cliente opte pelo cancelamento da compra e reembolso dos valores, os organizadores deverão efetuar a devolução integral, em tempo razoável, a partir de acordo entre as partes. A mesma regra vale para evento cancelado em definitivo.
Como proceder: caso a empresa responsável não disponibilize as opções descritas (remarcação ou cancelamento com reembolso), o comprador deve buscar o auxílio do Procon-AL.
Atuação do Procon: num primeiro momento, a entidade promove a intermediação entre consumidor e fornecedor. Se não houve acordo entre as partes e constatada prática irregular, o órgão autua e abre processo administrativo contra a empresa responsável, com a consequente aplicação de multa.
Atenção, consumidor: a recomendação inicial é que, se possível, a compra não seja cancelada. O seu direito está resguardado e será atendido tão logo cesse a atual situação de crise promovida pelo coronavírus. O cancelamento só deve ser pleiteado em último caso, sobretudo quando a utilização do serviço em momento posterior for inviável.

quarta-feira, 8 de abril de 2020

Hospital de campanha no Ginásio do Sesi começa a funcionar na próxima semana

Estrutura vai operar como unidade de urgência para síndromes gripais e receberá os pacientes que chegam ao Hospital Geral com esses sintomas


Hospital de campanha terá 28 médicos dando assistência à população, 24 horas por dia Hospital de campanha terá 28 médicos dando assistência à população, 24 horas por dia Márcio Ferreira
 
 
Texto de Severino Carvalho e Nigel Santana

O hospital de campanha que está sendo montado no Ginásio do Sesi para enfrentamento ao novo coronavírus em Alagoas vai começar a funcionar na próxima semana como Unidade de Urgência para Síndromes Gripais.
O objetivo é direcionar para o equipamento todo o fluxo que chega ao Hospital Geral do Estado (HGE) com sintomas gripais, evitando, assim, que pessoas com suspeitas da doença possam transmitir o vírus para pacientes e profissionais de saúde da unidade, que recebe, diariamente, cerca de 150 pessoas com sintomas gripais.
O governador Renan Filho e o secretário de Estado da Saúde, Alexandre Ayres, estiveram no local para acompanhar a montagem da estrutura na manhã desta quarta-feira (08).
“Esse hospital de campanha ajuda de duas maneiras: protege mais o HGE e os seus pacientes; além de agilizar os testes que serão feitos para verificar se as pessoas estão com a Covid ou com outras síndromes gripais. Se o paciente precisar ser encaminhado a uma unidade específica para tratamento da Covid-19, já sairá daqui regulado e com leito garantido”, explicou o governador.
Crédito: Márcio Ferreira
O secretário de Estado da Saúde reforçou que na Unidade de Urgência para Síndromes Gripais do Sesi não haverá leitos para internação. Ali serão instalados consultórios e poltronas para nebulização. No local, atuarão 28 médicos em escala de 24 horas.
“O objetivo é promover uma triagem e dar a destinação correta dos pacientes, isolando quem precisa ser isolado de imediato, porque o isolamento precoce das pessoas com sintomas é o grande segredo para que a gente contenha o crescimento da curva de contágio do novo coronavírus”, explicou Ayres.
Isolamento
Durante a visita, Renan Filho reforçou a necessidade da manutenção do distanciamento social para achatamento da curva de contaminação da doença em Alagoas e, assim, garantir o tempo necessário à adequação da rede hospitalar para o combate ao vírus.
“O isolamento precisa melhorar e precisa melhorar por conscientização, não pelo aumento do número de mortes. É isso que estou pedindo ao cidadão: não vamos esperar que morram pessoas em Alagoas pra gente colaborar mais com o isolamento social. Isso precisa ocorrer por conscientização pessoal, pelo trabalho do Governo do Estado e por colaboração da imprensa. A gente tem feito isso, mas infelizmente muita gente só acredita vendo”, lamentou.
Crédito: Márcio Ferreira
Também acompanharam a visita ao hospital de campanha, que está sendo montado no Ginásio do Sesi, o diretor do HGE, Paulo Teixeira; a supervisora médica deste hospital, Janaína Gouveia; e o secretário executivo de ações em Saúde, Marcos Ramalho.

terça-feira, 7 de abril de 2020

Covid-19: Pesquisadores alagoanos desenvolvem respirador mecânico

Protótipo recebe os últimos ajustes e deve ficar pronto nos próximos dias; modelo precisa ser validado por instituições alagoanas e nacionais


Diferentemente dos modelos mais simples utilizados no Brasil, o Respiral promete acompanhar com mais precisão o estado do paciente
Diferentemente dos modelos mais simples utilizados no Brasil, o Respiral promete acompanhar com mais precisão o estado do paciente Divulgação
 
Texto de Agência Alagoas

A prevenção ao novo coronavírus fez disparar a procurar por máscaras e álcool em gel. Quando não sumiram dos estoques de farmácias e supermercados, os dois itens essenciais foram inflacionados a preços exorbitantes. O mesmo efeito atingiu em escala global os chamados respiradores mecânicos – equipamentos utilizados no tratamento de casos mais severos de Covid-19.
Enquanto a explosiva demanda pelo aparelho vem provocando crises diplomáticas mundo afora, em Alagoas um grupo de pesquisadores busca apoio para produzir em larga escala um modelo mais eficaz e acessível da máquina. O protótipo está recebendo os últimos ajustes antes da primeira validação. “Estimo que até a próxima sexta-feira (10) a máquina esteja pronta”, prevê o matemático Rodrigo Santos, um dos proponentes do projeto.
A Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) já sinalizou interesse em conhecer a iniciativa batizada de Respiral. “Estamos de portas abertas e à disposição para todos que de alguma forma queiram ajudar nesse momento tão crítico”, assegura o médico Marcos Ramalho, secretário-executivo de Ações de Saúde da Sesau. “Essas iniciativas são a prova da solidariedade humana. Elas são importantes porque, além de ajudar nesse cenário tão difícil, promovem o desenvolvimento científico. Promovem a busca por novas alternativas”, complementou o gestor.
Em mais um bom exemplo de contribuição voluntária, Rodrigo aliou seus conhecimentos de eletrônica com a expertise em engenharia de produção do professor Edson Camilo de Moraes, do Instituto Federal de Alagoas (Ifal). Após pesquisar sobre respiradores e ouvir especialistas em infectologia e fisioterapia – que, em geral, é o profissional responsável por entubar os pacientes –, a dupla reuniu uma equipe multidisciplinar (programadores, engenheiros e estudiosos de áreas afins) para materializar uma ideia que pode salvar muitas vidas.
Baixo custo, alta funcionalidade
O grupo formado por sete pessoas começou os trabalhos há uma semana, em turnos diários, no laboratório montado na casa do próprio Rodrigo Santos. O financiamento inicial veio dos idealizadores, que estimam um custo final para o equipamento em torno de R$ 5 mil. “Dez vezes mais barato que o vendido no mercado”, aponta o inventor, que chegou a hospedar integrantes da equipe em sua casa para continuar com os testes.
Apesar de um pouco mais caro que o respirador recentemente desenvolvido por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), o projeto alagoano é mais completo, apresenta mais parâmetros de funcionalidade e pode se tornar ainda mais barato caso receba apoio na forma de doação de insumos e utilização de maquinário, como uma fresadora 3D, utilizada para a fabricação de peças e componentes.
Diferentemente dos modelos mais simples de respiradores utilizados no Brasil, o Respiral promete acompanhar com mais precisão o estado do paciente. “Temos inovações no modelo mecânico e na programação eletrônica. O nosso tem mais parâmetros, com um controle maior de variáveis como pressão, volume e quantidade de oxigênio”, exemplifica Ícaro Santos Ferreira, formando em engenharia mecatrônica e integrante da equipe.
O médico e jurista Adriano Nunes assessorou o projeto desde o início. “Fui integrado ao grupo e pude auxiliar na compreensão da fisiodinâmica da respiração humana e do respirador mecânico, tirando dúvidas fundamentais para o adequado funcionamento do aparelho”, explica ele, que sugeriu o nome Respiral para batizar projeto e aparelho. “Esses meninos são muito talentosos. O projeto deles é parecido com o que foi apresentado pela USP, mas ambos são genuínos, originais”, complementa.
Uma vez pronto, o experimento será encaminhado para validação pela MaceioTech, empresa alagoana especializada em testes e manutenção de equipamentos hospitalares, e também parceira do Respiral. Em seguida, será necessária aprovação da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e de outros órgãos.
Enquanto aguarda a liberação final, o projeto do ventilador pulmonar será apresentado à Sesau e a outras empresas e instituições, como a Braskem e o Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial). “Eles possuem maquinário e insumos para a fabricação em série do respirador”, garante Rodrigo. Quantos poderão ser produzidos por dia? A resposta depende de mais apoio e mobilização voluntária, seja da esfera pública ou da iniciativa privada.
Financiamento on-line
Para quem se interessou e deseja contribuir, vale visitar a página para financiamento on-line aberta pelo grupo no endereço: www.vakinha.com.br/vaquinha/respiral-respirador-pulmonar. Quando o protótipo estiver certificado, o grupo pretende disponibilizar o projeto na internet. “Assim, pessoas em outros lugares do Brasil receberão os manuais de mecânica e programação para construir em suas cidades”, almeja o pesquisador Ícaro Santos.

segunda-feira, 6 de abril de 2020

Embalagens e alimentos requerem higienização, reforçam especialistas

Confira dicas sobre procedimentos de limpeza para alimentos e itens pessoais ao receber pedidos por delivery ou chegar em casa após as compras


Sacolas plásticas devem ser descartadas ao chegar em casa e os alimentos higienizados com água sanitária
Sacolas plásticas devem ser descartadas ao chegar em casa e os alimentos higienizados com água sanitária EBC

 
Texto de Agência Alagoas

O combate ao novo coronavírus deflagrou um novo mantra universal: fique em casa. Mas nem todos têm esse privilégio. Além dos profissionais que atuam nos serviços essenciais, pessoas que não apresentam sintomas relacionados ao covid-19 podem deixar temporariamente o confinamento para providenciar abastecimento de ordem pessoal e familiar. Seja da porta pra fora ou de casa pra dentro, a recomendação é a mesma: cuidado redobrado com a higiene.


Com duas semanas de quarentena, uma nova rotina doméstica impôs o reaprendizado de velhos hábitos saudáveis – como o simples e eficaz ato de lavar as mãos – e chamou a atenção para procedimentos sanitários extraordinários, como o uso de máscaras de proteção nas ruas.
Mas o bicho pega mesmo quando você circula. Uma vez infectado, o indivíduo se torna agente transmissor. Leva o pão e o vírus pra casa. Pra complicar, a contaminação também pode estar em sacolas, embalagens, roupas, gêneros alimentícios e demais objetos trazidos da rua.
Então, como proceder para reduzir as chances de contágio ao voltar para casa? As ciências médicas assinam a receita. Um dos integrantes do Grupo Técnico de Enfrentamento ao Covid-19 em Alagoas, o infectologista Fernando Maia, descreve a sua própria rotina como exemplo. Esteja ele em atuação no hospital ou no aconchego do lar, a vigilância com a saúde demanda máxima atenção.


“Eu tenho esposa e um filho pequeno. Eu vou trabalhar e quando eu volto, deixo o meu sapato dentro do carro. Criamos uma ‘área contaminada’, que é na lavanderia. Ao chegar em casa, vou direto para lá, tirou a roupa e sigo direto para o banho”, descreve o médico. “Toda roupa utilizada é colocada a parte para ser lavada. E toda vez que entra em casa, banho”, reforça.
E com os itens adquiridos durante a saída? Deve-se higienizar embalagens e sacolas plásticas? E os alimentos que estavam expostos nas prateleiras podem ser contaminantes se manuseados por uma pessoa infectada? De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), pesquisas recentes constataram que alimentos não hospedam o vírus, mas há chance contaminação nas superfícies caso sejam manuseados por uma pessoa infectada.
A sobrevivência do novo coronavírus varia de um material para outro. Estudos indicam que no aço inoxidável e no plástico, o vírus pode viver por até três dias, já no papelão, apenas 24 horas. Portanto, durante as compras, respeite a distância mínima de 1 metro entre as outras pessoas e nunca leve as mãos aos olhos, nariz e boca.
A seguir, confira a lista preparada a partir das orientações de especialistas com dicas e cuidados na hora de voltar para casa com itens pessoais e produtos de gêneros diversos.


CALÇADOS, ROUPAS E ITENS PESSOAIS

- Deixe os calçados do lado de fora.
- Se possível, crie uma espécie de “área contaminada” dentro de casa para acomodar objetos como bolsa, mochila, relógio, anéis e outros itens pessoais.
- Lave as mãos e depois o rosto. Tire as roupas imediatamente e coloque no cesto para lavar. Tome banho em seguida.
- Caso não tenha uma “área contaminada”, faça a higienização de itens pessoais com álcool em gel a 70%. Outra opção é preparar uma solução com água e algumas gotas de detergente e passar na bolsa ou no item com um pano limpo e seco.
- Higienizar o aparelho celular, chaves e maçanetas das portas.
- No caso de bolsas e mochilas, providencie um lugar para pendurá-las para evitar o risco de contaminar superfícies como mesas, camas, cadeiras e sofás.
SACOLAS E EMBALAGENS
- Leve as embalagens de produtos e sacolas com itens diversos direto para a pia da cozinha. Potes, latas, caixas, vidros e garrafas com produtos e alimentos devem ser lavadas com água e detergente (ou sabão).
- As sacolas plásticas devem ir direto para o lixo. Embalagens não descartáveis devem ser higienizadas com água e detergente (ou sabão).
ALIMENTOS
- Frutas e verduras recebem o mesmo tratamento de sempre: primeiro lavar sob água corrente. Depois, imergir em solução de hipoclorito de sódio (água sanitária) por aproximadamente 15 minutos. Em seguida, enxaguar mais uma vez para retirar o excesso do produto.
- Higienize com produtos adequados de limpeza as superfícies e utensílios que entram em contato com os alimentos.
- Não converse, espirre, tussa, cante ou assovie em cima dos alimentos, superfícies ou utensílios. A recomendação vale para o momento da compra, do preparo e de servir.
- No caso do recebimento de lanches, refeições e pequenas compras por serviços de entrega (delivery), descartar embalagens e sacolas plásticas imediatamente na lixeira e, em seguida, lavar as mãos com água e sabão.
Fonte: Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) com especialistas da área de saúde.