terça-feira, 10 de março de 2020

Primeiro caso de coronavírus não causa pânico em AL, afirma secretário de Saúde

Alexandre Ayres ressaltou que Alagoas está preparado para atender os casos confirmados


Ayres diz que homem identificado com a doença está em isolamento domiciliar
Ayres diz que homem identificado com a doença está em isolamento domiciliar Carla Cleto

 
Texto de Josenildo Törres

Após a confirmação do primeiro caso de Covid-19 em Alagoas, o secretário de Estado da Saúde, Alexandre Ayres, tranquilizou a população e assegurou que não há motivos para pânico. O gestor da Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) enfatizou que o homem identificado com a doença, que esteve em viagem à Itália, está em isolamento domiciliar, com quadro de saúde estável. Ele segue monitorado desde o dia 3 de março pelos técnicos do Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (Cievs).

Alexandre Ayres enfatizou que, mesmo diante da confirmação do caso, por meio de exame realizado no laboratório da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Rio de Janeiro, não haverá nenhuma mudança na conduta dos técnicos da Sesau. Ele ressaltou que a Sesau elaborou um Plano de Contingência para Enfrentamento do Coronavírus, seguindo as determinações do Ministério da Saúde (MS) e da Organização Mundial de Saúde (OMS).

“Quero chamar a atenção da população que não há motivos para pânico, uma vez que estamos tratando de uma gripe comum, menos danosa à saúde do que o H1N1 [Influenza]. Quanto à chegada da doença, já era algo esperado, diante do efeito da globalização, mas, adotamos todas as medidas para assegurar que todos que venham a contrair a doença possam ser monitorados, acompanhados e recebam a assistência necessária”, salientou Alexandre Ayres.

O secretário de Estado da Saúde recomendou que só devem procurar um serviço de saúde, as pessoas com sintomas da doença e que tiveram contato com alguém doente ou que esteve em viagem a 27 países onde já há circulação do vírus. Além do Brasil, há casos confirmados na Alemanha; Austrália; Canadá; China; Coreia do Norte; Coreia do Sul; Croácia; Dinamarca; Emirados Árabes Unidos; Espanha; Estados Unidos; Finlândia; França; Grécia; Holanda; Indonésia; Irã; Itália; Japão; Malásia; Noruega; Reino Unido; San Marino; Singapura; Suíça; Tailândia; e Vietnã.

Alexandre Ayres ressaltou que o Hospital Escola Hélvio Auto (HEHA), em Maceió, referência no atendimento a pacientes com doenças infectocontagiosas, não deve ser procurado indiscriminadamente. Isso porque, conforme o titular da pasta da Saúde Alagoas, a unidade só irá receber pacientes que comprovadamente apresentem o coronavírus e que necessitem ficar em isolamento domiciliar, o que não foi o caso do alagoano de 42 anos, diagnosticado com a doença no domingo (8).

“Se alguém se enquadrar no perfil estabelecido pelo Protocolo do Ministério da Saúde, deve procurar um serviço de saúde próximo à sua residência, seja público e privado. Todas as unidades já estão informadas das medidas que devem ser seguidas, sendo a primeira delas, acionar o Cievs da Sesau, que funciona todos os dias da semana, 24 horas por dia”, esclareceu o secretário de Estado da Saúde. 

Prevenção – Quanto à prevenção, Alexandre Ayres orientou que cada alagoano deve higienizar as mãos com água e sabão ou álcool gel, sempre que necessário, principalmente antes de consumir algum alimento, após tossir ou espirrar. Também é importante utilizar lenço descartável para a higiene nasal, cobrir o nariz e a boca quando espirrar ou tossir, utilizando a dobra do braço, além de evitar tocar com as mãos mucosas de olhos, nariz e boca. 

“Também não se deve compartilhar objetos de uso pessoal, como talheres, pratos, copos ou garrafas, evitar contato próximo de pessoas que apresentem sinais ou sintomas de infecção respiratória, não frequentar locais com aglomerações e ambientes fechados”, recomendou o gestor da saúde estadual.

segunda-feira, 9 de março de 2020

Saúde entrega mais de 40 equipamentos a hospitais de Piranhas e Delmiro Gouveia

Além de novas camas mecânicas, unidades receberam cadeiras e refrigeradores


Secretário de Ações de Saúde, André Cabral, visitou o Hospital Antenor Serpa, em Delmiro Gouveia
Secretário de Ações de Saúde, André Cabral, visitou o Hospital Antenor Serpa, em Delmiro Gouveia Olival Santos

 
Texto de Fabiano Di Pace

A Secretaria de Estado de Saúde (Sesau) renovou parte dos equipamentos dos Hospitais Arnon de Mello e Antenor Serpa, respectivamente em Piranhas e Delmiro Gouveia, municípios localizados no Alto Sertão alagoano. No total, foram entregues 43 novos equipamentos, que irão qualificar, ainda mais, a assistência aos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) no Alto Sertão.


Do total, cada unidade recebeu 20 camas de Fawler mecânicas com colchões e 20 poltronas hospitalares. Também foram entregues três refrigeradores, sendo um para Delmiro Gouveia e dois para Piranhas.
“Com a entrega dos novos equipamentos, estamos modernizando os Hospitais Antenor Serpa e Arnon de Melo, que são referências no atendimento para os moradores do Alto Sertão de Alagoas, contribuindo no processo de regionalização da assistência à saúde para alagoanos”, destacou o secretário de Gestão Interna da Sesau, André Cabral.


Para o gerente de assistência pré-hospitalar da Sesau, Henrique Damasceno, os novos equipamentos aprimoram o atendimento prestado pelas unidades. “Com a renovação dos materiais, os pacientes, profissionais e acompanhantes ganham em conforto e bem estar”, reforçou.


Durante a entrega dos equipamentos, foi realizada uma visita técnica às duas unidades de saúde, onde foram ouvidos os gestores e servidores. Segundo a assessora técnica da gerência hospitalar, Camila Veiga, todas as demandas das unidades serão avaliadas.

“A Sesau está comprometida em assegurar a acessibilidade e resolutividade de todas as unidades de saúde, reforçando o investimento no interior de Alagoas. Com isso, os moradores do Sertão não precisam se deslocar para os grandes centros, quando necessitarem receber assistência médica”, explicou Camila Veiga.

domingo, 8 de março de 2020

Nota informativa: Caso importado de COVID-19 é registrado em Alagoas

Fiocruz encaminhou resultado detectável para coronavírus em homem alagoano
Fiocruz encaminhou resultado detectável para coronavírus em homem alagoano Peter Ilicciev/Fiocruz
 
 
Texto de Ascom Sesau

A Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) informa que, neste domingo (08/03), a Fundação Oswaldo Cruz, laboratório de referência nacional, encaminhou resultado laboratorial detectável para o novo Coronavírus (nCov-2019) de pessoa residente em Alagoas.
Trata-se de um homem, alagoano, de 42 anos, com histórico de viagem para a Itália, com retorno em 03/03, procurando atendimento em serviço de saúde de Maceió por apresentar sintomas. O caso foi notificado pelo serviço ao CIEVS/AL e vem sendo monitorado pelo CIEVS/Maceió, estando o homem em isolamento domiciliar e estável.


A SESAU/AL reforça a necessidade de buscar atendimento no serviço de saúde mais próximo da residência caso apresente sinais e sintomas característicos, particularmente as pessoas com histórico de viagem recente a um dos países onde foi detectada transmissão local (Alemanha, Austrália, Canadá, China, Coreia do Norte, Coreia do Sul, Croácia, Dinamarca, Emirados Árabes Unidos, Espanha, Estados Unidos, Finlândia, França, Grécia, Holanda, Indonésia, Irã, Itália, Japão, Malásia , Noruega, Reino Unido, San Marino, Singapura, Suíça, Tailândia, Vietnã) ou que tenham tido contato com caso suspeito ou confirmado por COVID-19.


A Sesau alerta também para os seguintes pontos:
• Quando a pessoa apresentar sintomas de gripe ou resfriado e sentir necessidade de atendimento médico deve procurar um serviço de saúde, público ou privado, como o faz rotineiramente;
• A avaliação do médico quanto ao estado da pessoa e a escuta da história de viagem é que vão definir a conduta a ser adotada, inclusive a necessidade da coleta de material para exame de laboratório;
• Nenhuma pessoa deve procurar o LACEN/SESAU para coletar material para exame de laboratório. O LACEN somente atende aos chamados articulados via CIEVS/AL.
• Nenhuma pessoa deve procurar atendimento no Hospital Escola Hélvio Auto (HEHA). O hospital somente vai atender os casos encaminhados por outros serviços. O hospital é referência para os casos graves.
É necessário também adotar as medidas de precaução e, principalmente, que diante da apresentação de sinais e sintomas sejam evitados locais públicos e a adoção dos seguintes cuidados:
• Higienizar (lavar) as mãos com água e sabão, sempre que necessário, principalmente antes de consumir algum alimento, após tossir ou espirrar (na falta de água e sabão, usar álcool gel);
• Utilizar lenço descartável para a higiene nasal;
• Cobrir o nariz e a boca quando espirrar ou tossir, utilizando a dobra do braço (não cobrir com as mãos);
• Evitar tocar com as mãos mucosas de olhos, nariz e boca;
• Não compartilhar objetos de uso pessoal, como talheres, pratos, copos ou garrafas;
• Evitar contato próximo de pessoas que apresentem sinais ou sintomas de infecção respiratória; 
• Evitar sair de casa em período de alta transmissão de doenças respiratórias, principalmente crianças e idosos;
• Evitar aglomerações e ambientes fechados (manter os ambientes ventilados);
• Seguir as orientações dos profissionais e dos serviços de saúde, para, por exemplo, o afastamento temporário do trabalho ou da escola pelo período indicado;
A Sesau reforça, ainda, o compromisso em manter a população informada e alerta para a ocorrência de possíveis casos suspeitos ou confirmados.

Ocupação hoteleira cresce em Alagoas no 1º bimestre de 2020

Número de leitos preenchidos foi de 86,63% em janeiro e 79,76% no mês de fevereiro, segundo dados da ABIH/AL


Destino Alagoas se consolida na busca dos turistas durante alta temporada
Destino Alagoas se consolida na busca dos turistas durante alta temporada Kaio Fragoso

Texto de Letícia Cardoso

O estado de Alagoas se consolida mais uma vez entre os turistas do Brasil e do mundo na busca de destinos para curtir a alta temporada. No primeiro bimestre de 2020, a ocupação hoteleira foi de 86,63% em janeiro e 79,76% no mês de fevereiro, representando um crescimento de 1,91% e 3%, respectivamente, em relação ao mesmo período do ano anterior. Os dados são da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis de Alagoas (ABIH/AL).


A média de leitos ocupados é feita com base nos 88 hotéis associados à entidade espalhados pelo estado. Contribuindo para este resultado, a Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico e Turismo (Sedetur) tem trabalhado no fortalecimento da malha área e na promoção do destino no mercado nacional e internacional, atraindo novos visitantes para conhecer as belezas naturais, o artesanato e apreciar a gastronomia local.


“Este foi um ano de desafios para nós que fazemos parte do turismo. Vencer todos eles, consolidar o destino na busca dos visitantes e ainda conseguir ampliar nossa oferta hoteleira só nos dá mais fôlego para seguir potencializando o segmento turístico de Alagoas. Apenas em 2019, mais de seis hotéis foram inaugurados e existem mais 11 em construção. Mesmo com esse aumento, conseguimos expandir a ocupação dos hotéis no estado durante um período tão importante para o turismo como a alta temporada”, pontua Rafael Brito, secretário do Desenvolvimento Econômico e Turismo. 

Combate pela democracia ou ativismo acadêmico em torno da Comissão da Verdade




José Vieira da Cruz*


O combate em favor do Estado Democrático de Direito e de suas garantias ganhou força e difusão após o fim da Segunda Guerra Mundial.  A partir daquele instante, em meados da década de 1940, a humanidade parecia ter compreendido as duras lições impostas pelos regimes de força baseados em pensamentos totalitários, racistas, fascistas, nazistas e de extermínio dos diferentes e dos divergentes. Em seu lugar, a democracia e o respeito aos direitos humanos, com todos os seus desafios e limites, consolidava-se como um caminho para o desenvolvimento em diferentes países no Ocidente Cristão. Não obstante essas lições, a partir da década de 1960, o Brasil e grande parte da América Latina sucumbiram a golpes e a ditaduras civis e militares.


No caso Brasileiro, passados 21 anos, a ditadura cedeu lugar ao movimento de transição para redemocratização do país através de eleições presidenciais e da promulgação, em 1988, da atual Constituição Federal.  Os atuais tempos democráticos pareciam, por um lado, fazer voltar as lições de rejeição das duas recentes ditaduras: a Varguista (1937-1945) e a Militar (1964-1985), e, por outro lado,  também parecia evocar os ensinamentos de repulsa aos horrores, mazelas, crimes e excessos  praticados por elas e por todos os regimes totalitários e antidemocráticos. Sob esse horizonte, seguiram a esse processo o combate em favor da democracia através de eleições livres e diretas, da promulgação da atual Constituição Federal, da aprovação das constituições estaduais, do exercício da liberdade de imprensa, do exercício da autonomia universitária, da instituição da Comissão Nacional da Verdade e das comissões estaduais da verdade. Além de uma série de outras iniciativas e ações. A democracia parecia, sem contestações, reencontrar entre nós um ambiente de aprendizado, diálogo, consenso e construção de significados. Um contexto muito diferente das contradições do atual cenário político brasileiro.
É, sob este preâmbulo, possível compreender a proposta do livro “Resistência e adesão ao Regime Militar: ensaios a partir da Comissão da Verdade em Sergipe”, de autoria de Afonso Nascimento, publicado pela Criação Editora e lançado neste mês de março de 2020. O livro apresenta, oito partes, formadas por artigos afins, publicados na imprensa pelo autor, sobre temas relacionados ao regime militar e sobre a Comissão Estadual da Verdade de Sergipe. 

No livro em tela, os artigos, apesar de escritos em ocasiões diferentes, foram reunidos a partir de discussões alinhadas a um eixo central e, ao mesmo tempo, transpassados por debates de um passado que persiste em permanecer no presente.
Frente ao temário sobre resistência ou adesão ao Regime Militar, tão logo o leitor ultrapasse a introdução, tem-se, na parte I, sete artigos relacionados a Comissão da Verdade. Esses artigos revelam o envolvimento do autor em debates relacionados à “teoria dos dois demônios”; isto é, sobre o real envolvimento de civis e de militares em práticas contra os direitos humanos e a favor da ditadura.  Nesta parte do livro, é revelado alguns detalhes dos bastidores que ajudam na compreensão dos motivos que promoveram a demora e as indecisões para criação da referida Comissão. A este respeito, preciso registar que antes de minha atual vinculação profissional, como docente da Universidade Federal de Alagoas, tomei parte da referida comissão, criada em 2015. Entretanto, afastei-me dos referidos trabalhos, em razão de ter assumido a Vice-reitoria da Universidade Federal de Alagoas. Mas, mesmo à distância, continuei a acompanhar as atividades relacionadas à Comissão Estadual da Verdade Paulo Barbosa.


A segunda parte do livro, intitulada “Comunistas”, compostas de treze artigos, pode provocar aos desavisados alguma incompreensão quanto à posição acadêmica e política do autor. No Brasil, há algum tempo, falar em comunistas ou contra eles, em regra, infere a dualidade esquerda x direita sem margens para críticas, autocríticas ou possíveis ambivalências. A leitura da obra “Resistência e adesão ao Regime Militar” permitirá a cada leitor tecer sua posição a respeito.


No tocante as posições de Afonso Nascimento, é importante esclarecer sobre sua formação que ele é bacharel em Direito pela UFS, mestre em Direito pela UFSC e Diplôme d’ Etudes Appronfondies em Estudos Políticos pela Université de Montpellier I (França). Enquanto docente ensinou Teoria do Estado e Sociologia do Direito na PUC/RJ, UFRJ, Paul University (EUA), entre outras instituições. Na UFS, além da vinculação ao Departamento de Direito, dirigiu o Núcleo de Pós-graduação em Ciências Sociais, foi Pró-reitor de Assistência Estudantil e Assessor de Relações Internacionais. Publicou diversas obras, dentre a quais destaco “Uma crítica à concepção jurídica do Estado” e “Incursões de um intelectual na mídia escrita”. Organizou também “Pensar Sergipe I e II” e “Memórias de políticos sergipanos no século XX”. É preciso registrar ainda que além de sua formação acadêmica no Brasil e em outros países, de sua atuação docente na graduação e na pós-graduação, de sua experiência administrativa e de sua contribuição como membro da Comissão Estadual da Verdade de Sergipe, sua frequente e provocativa atuação junto a imprensa. Afora isso, suas interlocuções com os estudos já produzidos a respeito do tema, em particular, a obra do historiador e cientista político Ibarê Dantas, intitulada “Tutela Militar em Sergipe”, baliza academicamente seus escritos.


Observa-se, portanto, que Nascimento, além de acadêmico, membro da comissão estadual da verdade e articulista junto à imprensa, nos últimos oito anos publicou frequentemente textos incitando o debate sobre a justiça de transição e acontecimentos relacionados à ditadura militar, à defesa democracia, aos direitos humanos e ao papel político do judiciário, da UFS e da sociedade. E, de modo bastante contundente, sobre a importância do Estado de Sergipe ter uma comissão da estadual da verdade.
Sob este horizonte de experiência, com algum risco e os devidos reparos históricos, é possível aproximar o perfil de Afonso Nascimento aos de Tobias Barreto, Silvio Romero e seus discípulos quanto ao apego ao debate científico no campo do Direito, da Sociologia e da História, como também, de não se furtar aos debates e polêmicas de seu tempo. Em outra comparação, talvez mais próxima  a formação franco-estadunidense de Nascimento, suas posições políticas e acadêmicas aproximam-se, em certo sentido, das ideias do sociólogo estadunidense Richard Sennett   - um democrata liberal, averso ao socialismo, progressista, defensor dos direitos humanos e que, em lugar de números e análises quantitativas, faz uso de experiências e acontecimentos para aprofundar o conhecimento a respeito da realidade social que o rodeia.


Luciano Oliveira, doutor pela Escola de Altos em Ciências Sociais (Paris), professor da UFPE e contemporâneo de Afonso Nascimento na época de estudante da Faculdade de Direito de Sergipe na década de 1970, no então prédio da rua da Frente, atual Cultarte, ao comentar a formação do autor releva sua experiência como estudante de Direito, militante da Ala Jovem do Movimento Democrático Brasileiro (MDB), colaborador do jornal alternativo “O ReKado”, e, também, da sua solidariedade aos colegas vítimas da chamada “Operação Cajueiro” e das ações da Assessoria Especial de Segurança e Informação (AESI), braço do Sistema Nacional de Segurança (SNI) na UFS.


A dúvida latente no texto é o quanto Nascimento teria embarcado na “Teoria dos dois demônios”. Aparentemente ele não estudou apenas os “Comunistas”. Alternadamente, em diferentes partes do livro, ele estuda a Escola Superior de Guerra (ESG) e a Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG), na parte IV; e os militares, os dedos-duros e os agentes repressivos, na parte VIII. Revelando, no limite do possível, a trama de relações, adesões e compromissos tecidos por militares e por civis. Neste ponto, o autor parece se redimir do fato de não ter abordado o debate sobre a dimensão militar ou civil-militar da ditadura. Embora tenha evitado formalmente essa polêmica e utilizado em toda a obra o termo militar associando-o a regime, golpe e ditadura, o leitor atento perceberá no livro fissuras e suturas tecidas entre os diferentes segmentos da sociedade e do Estado que atuaram resistindo ou aderindo ao Regime Militar. Esse debate, embora espinhoso, é fundamental para compreensão das contradições e reminiscências que emergem das mais diferentes formas tanto do passado recente quanto do atual horizonte político do país.


O autor destina também especial atenção a vida universitária, em particular, a UFS e a Faculdade de Direito, resgatando a relação da instituição, da faculdade, dos professores e dos estudantes com o Regime e com a AESI/SNI. Já na parte VI, o autor destaca de modo especial o ativismo estudantil frente o Regime e a AESI/SNI, analisando o papel do Centro Acadêmico Silvio Romero, as experiências de resistência estudantis na  década de 1970, o engajamento do jornal “O Rekado” – equivalente ao jornal Pasquim –, a dura repressão imposta pela “Operação Cajueiro” aos ativistas políticos dentre outros nuances.  Em outra parte do livro, o autor destaca as experiências de secundaristas, universitários e políticos que atuaram junto ao MDB e a Ala Jovem do MDB. Este último ponto também nos parece muito atual, tanto dado o crescente número de estudos e memórias publicadas a respeito quanto ao protagonismo político de seus participantes, muitos dos quais em atividade na vida política e econômica.


Dentre os artigos resgatados três deles são destinadas a atuação da Igreja Católica. Neles o papel de três personalidades eclesiásticas é destacado: a de Dom Brandão de Castro, Dom Távora e Dom Luciano. Além de descrever a posição dos referidos religiosos o autor tece uma visão crítica quanto ao papel e a importância destes no período da ditadura militar. Apesar do esforço do autor, a atuação da Igreja Católica no período ainda é um campo que demanda estudos mais aprofundados.
O passado de quem viveu a ditatura, o presente de quem acompanhou junto a comissão da verdade os depoimentos de suas vítimas, confundem-se com a expectativa de futuro do autor de continuar a combater em favor da democracia e de ser um ativista em favor da atual ordem institucional. Um debate cada vez mais caro nos dias em que vivemos. Neste sentido, os escritos de Afonso Nascimento, reunidos neste livro, possuem dupla perspectiva: a do combate a ditaduras e em favor da democracia e a do ativismo acadêmico no campo jurídico. Em suma, esta é uma obra provocativa, de fácil leitura, recomendada tanto para os acadêmicos de diferentes áreas do conhecimento quanto para a comunidade de leitores interessada em compreender o passado recente de nosso país e os desafios da atual experiência democrática.


*José Vieira da Cruz, é Doutor em História pela UFBA, professor da UFAL, membro do Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe (IHGSE) e da Academia Alagoana de Educação (ACALE)

sábado, 7 de março de 2020

AL é o primeiro do Nordeste a implantar a logística reversa de baterias de chumbo ácido

Estado se torna o primeiro no avanço da implantação da Política Nacional de Resíduos Sólidos no país


Termo de compromisso foi assinado na manhã dessa quinta-feira (5)
Termo de compromisso foi assinado na manhã dessa quinta-feira (5) Ascom Semarh

Texto de Marcio Chagas

O Governo de Alagoas segue sendo pioneiro no avanço da implantação da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) no país. Na quinta-feira (5), o Estado se tornou o primeiro do Nordeste e o quinto no país a assinar o termo de compromisso para implantar a logística reversa de baterias de chumbo ácido, que são usadas na indústria e, principalmente, em veículos automotores.
A ação é um marco para o meio ambiente. Com o termo assinado e o encerramento de 100% dos lixões, em 2018, o Estado eleva sua imagem, no cenário nacional, na redução da geração de resíduos, tendo como proposta a prática de hábitos de consumo sustentável e o conjunto de instrumentos para propiciar o aumento da reciclagem e da reutilização dos resíduos sólidos, (aquilo que tem valor econômico e pode ser reciclado ou reaproveitado) e a destinação ambientalmente adequada dos rejeitos (aquilo que não pode ser reciclado ou reutilizado).
As baterias de chumbo ácido, depois da sua vida útil, se tornam um resíduo perigoso a serem gerenciados de forma correta. Elas não podem ser descartadas em qualquer local nem disponibilizadas para a coleta domiciliar nem na seletiva, ou para cooperativas de catadores, por conterem metais pesados, que podem causar significativo impacto ambiental, além de danos à saúde, se manuseadas de forma incorreta.
“Hoje é um momento muito importante para o Estado de Alagoas na questão da logística reversa, que impactará de forma direta o meio ambiente. Mostra que o trabalho que estamos fazendo vem sendo correspondido. E o intuito é de transformar Alagoas para ser realmente referência nas políticas de resíduos, exemplo disto foi  o encerramento dos lixões e a implantação de várias logísticas reversas em vários segmentos”, destacou secretário do Meio Ambiente e Recursos Hídricos, Fernando Pereira.
Juntamente com a Semarh, assinaram o termo, o diretor-presidente do Instituto do Meio Ambiente de Alagoas (IMA), Gustavo Lopes; o presidente da Federação do Comércio de Bens Serviços e Turismo do Estado de Alagoas (Fecomercio), Gilson Lima e a direta executiva do Instituto Brasileiro de Energia Reciclável (Iber), Amanda Schneider.
Para o diretor-presidente do IMA, Gustavo Lopes, a assinatura mostra o compromisso da gestão ambiental de Alagoas. “Mais um marco para o meio ambiente de Alagoas. Depois de encerrar 100% dos lixões, alagoas e o primeiro do Nordeste e o quinto do Brasil, isso mostra mais um compromisso de gestão ágil. Do poder público com relação a políticas ambientais e o desenvolvimento sustentável”, disse Lopes.
 O próximo passo será dado pela entidade gestora, Iber, onde será responsável, dentre as suas atribuições, por compilar e analisar as informações referentes à comercialização de Baterias novas, ao recolhimento e à destinação final de Baterias Inservíveis, conforme as metas previstas no Termo de Compromisso.
“Vamos servir de intermediários entre o Estado e o setor privado para buscar a implementação da política nacional de resíduos sólidos, e hoje temos uma ferramenta e modelo de certificação que demonstra as empresas que estão comprometidas com a sustentabilidade. Iremos agora iniciar o projeto aqui no estado, acompanhar a implementação da lei e aguardar os resultados”, esclareceu, a direta executiva do Iber, Amanda Schneider.

sexta-feira, 6 de março de 2020

Governador anuncia para quarta-feira (11) pagamento do rateio do Fundeb

Renan Filho sancionou a lei nesta sexta-feira (6), um dia após a Assembleia Legislativa aprovar a matéria em sessão extraordinária


Anúncio foi feito pelo governador por meio das redes sociais
Anúncio foi feito pelo governador por meio das redes sociais Márcio Ferreira
 

Texto de Severino Carvalho

O governador Renan Filho sancionou, nesta sexta-feira (6), a Lei N° 8.250, que dispõe sobre o rateio das sobras de recursos do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb) com os servidores em efetivo exercício no magistério da educação básica. Ele utilizou as redes sociais para anunciar que o pagamento será feito na quarta-feira (11).


“A Assembleia Legislativa aprovou ontem o rateio do Fudeb. Hoje, nós já sancionamos a lei e eu queria comunicar que, na próxima quarta-feira, o rateio do Fundeb estará na conta de todos os professores da rede estadual de Alagoas”, anunciou Renan Filho.
O governador aproveitou para fazer um agradecimento à Assembleia Legislativa do Estado (ALE) pela aprovação, na íntegra, do projeto de lei, que ocorreu na quinta-feira (5) em sessão extraordinária.


“Quero aproveitar para fazer um agradecimento à Assembleia Legislativa que colaborou decisivamente para que, juntos, tivéssemos as condições objetivas e necessárias para realizar o pagamento do rateio aos professores”, agradeceu Renan Filho.