
Deriky Pereira / Ascom Fapeal
Estabelecer uma política pública permanente de acesso à água
de qualidade para consumo humano, com aproveitamento sustentável de águas
subterrâneas. Este tem sido o objetivo do Programa Água Doce, do Ministério da
Integração, que conta com a parceria Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de
Alagoas (Fapeal), e em Alagoas é executado pela Secretaria de Estado do Meio
Ambiente e dos Recursos Hídricos (Semarh).
A iniciativa requer cuidados técnicos, ambientais e sociais
na implantação e gestão de sistemas de dessalinização no semiárido brasileiro. Via
Fapeal, há um incentivo do Programa de Apoio à Pesquisa e Desenvolvimento das
Políticas Públicas em Áreas Estratégicas (PDPP).
O programa é estruturado em quatro componentes: sustentabilidade
ambiental, obras civis, mobilização social e dessalinização. Mobilização social
e dessalinização são do campo de atuação dos bolsistas do PDPP.
Titular da Semarh, o secretário Gino César ressalta que o
Programa Água Doce é fundamental para os alagoanos.
“É com grande satisfação que destaco a relevância do Programa
Água Doce para o estado de Alagoas. A dessalinização de águas subterrâneas,
aliada a uma gestão sustentável e consciente, proporciona acesso contínuo a
água de qualidade para as populações do semiárido, mais especificamente no
polígono das secas”, apontou.
Para Gino César, o Governo de Alagoas tem reiterado o seu
compromisso com as comunidades beneficiadas.
“Estamos comprometidos em trabalhar junto às comunidades,
garantindo que todos estejam preparados para gerenciar e preservar esses
recursos em longo prazo. A união e os esforços conjuntos estão transformando a
realidade das famílias do semiárido, promovendo melhores condições de vida e um
futuro mais próspero para o povo alagoano”, afirmou.
Monitoramento constante
Coordenadora do Água Doce, Monica Tavares ressalta que a
mobilização social visa contribuir com a criação de estruturas permanentes de
gestão dos sistemas de dessalinização em níveis municipal, estadual e
comunitário.
“Instalar ou recuperar os sistemas de dessalinização não é
suficiente para garantir a oferta continuada de água de boa qualidade para as
famílias do Semiárido. É preciso, também, investir na organização de mecanismos
de gestão que viabilizem o funcionamento dos sistemas de dessalinização a médio
e longo prazo”, explicou.
Para isso, é necessário realizar manutenções de maneira
periódica após a implantação desses sistemas.
“Essa etapa requer o envolvimento e organização das
comunidades beneficiadas, bem como técnicos treinados nos estados para atender
periodicamente aos sistemas de dessalinização instalados. E a manutenção se
traduz na qualidade e na quantidade de água produzida no processo e no
prolongamento do tempo de vida útil do sistema”, disse Monica.
Esse monitoramento se dá por meio de visitas periódicas dos
pesquisadores bolsistas do PDPP, como Caroline Andrade e Victoria Spenner.
“Nós trabalhamos no campo, diretamente ligadas às pessoas e
lideranças das comunidades, buscando auxiliar na gestão compartilhada desses
sistemas, gerindo possíveis conflitos e ministrando palestras e oficinas, a fim
de conscientizar a população sobre o uso sustentável da água e cuidados com o
sistema de dessalinização de água”, explicam.
Municípios beneficiados
Com o desenvolvimento das ações do PDPP em torno do Programa
Água Doce, já foram firmados 83 Acordos de Gestão e 85 Oficinas de
Sustentabilidade em comunidades de mais de 30 municípios. São eles: Batalha,
Belo Monte, Cacimbinhas, Canapi, Carneiros, Coité do Nóia, Craíbas, Estrela de
Alagoas, Girau do Ponciano, Inhapi, Igaci, Jaramataia, Mata Grande, Major
Izidoro, Maravilha, Monteirópolis, Olivença, Olho d’Água das Flores e do
Casado, Ouro Branco, Palmeira dos Índios, Pão de Açúcar, Pariconha, Piranhas,
Poço das Trincheiras, Quebrangulo, Santana do Ipanema, São José da Tapera,
Senador Rui Palmeira e Traipu.
Os acordos de gestão compartilhada contêm regras que
delimitam os direitos e deveres de todos os envolvidos na gestão dos sistemas
de dessalinização. Eles permitem o controle e a participação das comunidades,
do município e do governo estadual, em atividades necessárias à garantia da
oferta de água de boa qualidade para as famílias beneficiadas.
Já as oficinas de sustentabilidade servem para compartilhar
conhecimentos e informações sobre o uso consciente e os cuidados com a água,
além de conscientizar disso quanto aos impactos da água salobra para a saúde
humana, saúde animal e a vegetação.
Semarh e Fapeal
O PDPP tem como objetivo viabilizar a formação de grupos de
trabalho para o desenvolvimento de pesquisas, estudos e análises técnicas,
tecnologias de gestão, acompanhamento, monitoramento e avaliação das políticas
públicas voltadas ao desenvolvimento socioeconômico alagoano, ou seja, ações
que estão diretamente relacionadas com a atuação do Programa Água Doce.
Atualmente, os sistemas de dessalinização de água beneficiam
cerca de 37.250 pessoas de comunidades rurais, assentamentos e quilombolas, que
antes não tinham acesso à água tratada para consumo humano.
“A Fapeal tem sido uma grande parceira no apoio aos bolsistas
que fizeram e fazem parte do Programa Água Doce em Alagoas, a qualidade técnica
da equipe contribuiu para o avanço do programa e inovações importantes que
impactam positivamente na vida de muitas pessoas no semiárido alagoano”,
apontaram Victoria e Caroline.
A parceria entre Fapeal e Semarh é reiterada por Monica
Tavares. “A atuação do Água Doce em Alagoas é de grande importância para a
região, uma vez que o programa trabalha com a mobilização social, que leva
autonomia para a comunidade por meio da gestão compartilhada dos sistemas
implantados, oferece uma destinação adequada do concentrado resultante do
processo, inibe um possível impacto ambiental, contribui com a mitigação dos
efeitos da desertificação em áreas suscetíveis a esse fenômeno”, celebrou.
Ainda de acordo com Monica Tavares, a sustentabilidade
ambiental leva a tecnologia da dessalinização que permite a convivência com o
semiárido, com o aproveitamento de águas subterrâneas, tornando-as próprias
para o consumo humano.
“Nessa concepção, o Programa Água Doce apoia e reforça as
ações de abastecimento de água de interesse público dos municípios,
prioritariamente nas comunidades rurais difusas do Semiárido alagoano, onde a
escassez de água é uma realidade constante”, concluiu.
A coordenadora de Formação de Capital Humano da Fapeal,
Lisandra Pereira, comenta que a parceria entre a Fundação e a Semarh, no
Programa PDPP, reforça o compromisso do Governo de Alagoas com a promoção de
soluções eficazes para os desafios enfrentados pelas comunidades do semiárido alagoano.
“Por meio da expertise e trabalho de nossos pesquisadores, o
conhecimento científico é transformado em ações concretas, permitindo a
aplicação de tecnologias como a dessalinização de forma sustentável e alinhada
às demandas sociais e ambientais”, comenta a historiadora e especialista em antropologia.
“A Fapeal reafirma seu papel estratégico no financiamento de
projetos que promovam a melhoria da qualidade de vida da população alagoana e
possibilitem a formulação e o aperfeiçoamento de políticas públicas integradas
às prioridades de desenvolvimento socioeconômico e sustentável do Estado”,
finaliza.