A integração entre os conveniados e servidores é tanta que, dois reeducandos fazem parte do time de futsal da Emater que disputa os jogos dos servidores estaduais. Além da oportunidade de trabalho, o tratamento dispensado aos custodiados faz a diferença no processo de ressocialização. A custodiada Maria Juliana dos Santos, há seis meses trabalhando na Emater, já expressou o desejo de ser efetivada no trabalho após o cumprimento da sua pena.
“Esse é o primeiro convênio que eu participo e já recebi proposta para deixar a Emater e ir para outra empresa onde iria ganhar mais. Optei por não ir, pois aqui participo das atividades, sinto-me acolhida por todos os funcionários. Não quero apenas o dinheiro, busco respeito e que me vejam como pessoa. Espero continuar trabalhando aqui após cumprir minha pena”, afirmou a conveniada.
Convênios
Para que um convênio seja firmado é necessário um acordo de cooperação entre a Seris e a empresa ou órgão público interessado, estabelecendo direitos e deveres para as partes envolvidas. Atualmente, há 18 convênios em andamento no Estado de Alagoas, utilizando a mão de obra carcerária em atividades como serviços gerais, porteiro, motorista, jardineiro, recepcionista, encanador, eletricista, dentre outras.
Pelo trabalho realizado, os conveniados recebem a partir de um salário mínimo, acrescidos do pagamento do transporte, além de terem direito à remição da pena. No início de outubro, a Seris alcançou o número de 400 custodiados inseridos no mercado de trabalho em Alagoas. O quantitativo inédito foi possível após a assinatura do acordo de cooperação firmado com a Secretaria da Fazenda, que oferta 130 vagas.
De acordo com o secretário executivo da Seris, major PM Marcos Henrique do Carmo, a partir do desenvolvimento de projetos como esse, o sistema prisional deixa de ser um regime de caráter encarcerador para tornar-se ressocializador. “Alagoas mostra que os reeducandos sabem aproveitar as oportunidades e que a contratação de conveniados pode ser muito positiva”, afirmou.
“Esperamos que as empresas privadas se inspirem nessa iniciativa e passem a aderir ao programa em maior número, tornando-se parceiras do governo na reintegração social dos custodiados. Trabalhamos para firmar novos convênios com empresas privadas que tenham interesse em disseminar essa ação social e humanizadora”, concluiu o major Henrique do Carmo.
Selo Empresa Ressocializadora
Visando prestar reconhecimento pela participação das empresas no processo de reintegração social dos custodiados alagoanos, a Seris criou o Selo Empresa Ressocializadora. Para conquistar o título, as instituições parceiras desse projeto devem atender alguns requisitos estabelecidos pelo Decreto Estadual nº 20.787/2012.
Para conquistar o Selo Empresa Ressocializadora a empresa deve ter certidão negativa de débito perante a Justiça do Trabalho, regularidade com a Previdência Social e o FGTS, além de promover iniciativas para a formação escolar dos reeducandos trabalhadores.